TSE manda remover vídeos que ligam Lula a fraudes no INSS; prazo é de 24 horas
O plenário do TSE decidiu em 15 de outubro remover vídeos sobre o INSS. Os vídeos ligam Lula ao filho, Fábio Luís, em supostas fraudes. O prazo é de 24 horas.

Quem pediu e contra quem
A ação foi elaborada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição de Lula. Do outro lado estão o PL, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira.
Também foi pedido direito de resposta para vídeos com trechos sobre garis.
Nesses vídeos, as falas aparecem misturadas a críticas de adversários políticos. Há também trechos que citam suposto recebimento de R$ 300 mil pelo filho do presidente.
O relator votou por manter
Relator do caso, o ministro André Mendonça negou o pedido e votou pela manutenção dos conteúdos. Para ele, as falas fazem parte do debate político.
Sobre o INSS, Mendonça sustentou que notícias e investigações respaldam os vídeos.
O plenário, porém, divergiu da decisão por maioria. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, separou dois grupos de conteúdo. As críticas às falas sobre garis ele considerou protegidas pela expressão.
O voto que prevaleceu
Já os vídeos que ligam Lula ao filho e ao INSS, votou por retirar. A liberdade de expressão não autoriza imputar crime sem suporte factual, disse ele.
Segundo o presidente da Corte, a própria associação entre o candidato e as acusações já justifica a retirada. A medida não restringe críticas nem a divulgação de investigações.
Impedir que o eleitor seja exposto a suspeitas como fatos incontroversos é o objetivo.
Como votou cada ministro
Dois ministros acompanharam o relator na íntegra, e dois seguiram o presidente. Sebastião Reis Júnior ficou no meio.
Ministro | Posição |
André Mendonça (relator) | manter os conteúdos |
Kassio Nunes Marques | retirar o que liga Lula ao INSS |
Dias Toffoli | acompanhou o presidente |
Estela Aranha | acompanhou o presidente |
Floriano de Azevedo Marques | viu descontextualização |
Ricardo Villas Bôas Cueva | viu descontextualização |
Sebastião Reis Júnior | descontextualização nos garis, mantém INSS |
Ele viu descontextualização na fala sobre os garis. Quanto ao INSS, porém, acompanhou Mendonça.
Floriano de Azevedo Marques e Villas Bôas Cueva apontaram descontextualização das falas sobre os garis. Os dois também falaram em associação indevida de possível crime.
O que a decisão não faz
Liminar, a medida não encerra a análise do mérito. O Tribunal ainda vai julgar o caso em definitivo, com novo voto e possível mudança.
Cobertura jornalística das investigações sobre o INSS está fora do alcance da decisão. O que ela veda é tratar as suspeitas como fato consumado.
Por que o caso importa para 2026
A ação foi movida dentro da campanha, e não depois dela. Isso coloca o TSE a definir, em tempo real, o que pode circular sobre um candidato.
Vale para os dois lados o precedente. A mesma régua de suporte factual pode ser aplicada a conteúdos contra outros candidatos. Para quem produz conteúdo político, atribuir crime exige documento, não suspeita.
O que acontece com quem publicou
As plataformas têm 24 horas para tornar os vídeos indisponíveis. Quem mantiver o conteúdo no ar pode responder por descumprimento de ordem judicial.
Nada disso apaga o processo. O mérito segue em julgamento no Tribunal.
Identifique se o conteúdo que você publicou está entre os citados na decisão.
Retire ou torne o vídeo indisponível dentro de 24 horas.
Acompanhe o julgamento do mérito, que ainda pode mudar a liminar.
Leia também:
Lula e Flávio no 2º turno de 2026: o que cada um promete para o Bolsa Família
Aposentadoria de ACS e ACE em 2026: emenda sai com 60 anos e governo recua do STF
INSS 2026: CJF libera R$ 2,93 bilhões em atrasados para 193.242 segurados