Pé-de-Meia Licenciatura: R$ 1.050 por mês, com R$ 700 de saque imediato
Estudantes que entram numa licenciatura e precisam trabalhar para se sustentar podem contar agora com uma renda mensal até a formatura. O Pé-de-Meia Licenciatura paga um valor todo mês ao futuro professor e ainda separa uma parte para depois.

Não é automático. É preciso entrar por uma via específica, cumprir créditos obrigatórios e aceitar dar aulas na rede pública depois de formado.
O que o governo tentou resolver com o programa
O programa nasceu de um diagnóstico do Ministério da Educação (MEC) sobre a formação de professores no país. O governo brasileiro lançou a iniciativa para aproximar da docência o jovem que chega ao ensino superior e abrir novas oportunidades a quem deseja seguir a profissão.
Duas metas andam juntas: reduzir a evasão nas licenciaturas e reforçar a formação de professores no país. A evasão nesses cursos atinge índices que o MEC considera preocupantes.
No Enem, a nota média de corte das licenciaturas fica abaixo da de carreiras concorridas como Direito e Medicina, o que revela menos disputa por essas vagas. Entre os jovens de 15 anos, apenas 3% apontam a docência como preferência.
Os dois números ajudam a medir o tamanho do problema.
Como o dinheiro é dividido entre saque e poupança
O benefício mensal é de R$ 1.050, mas o estudante não saca tudo. Desse total, R$ 700 ficam disponíveis a cada mês para cobrir os gastos da graduação, e os R$ 350 restantes vão para uma poupança especial.
Parte | Valor por mês | Como o aluno acessa |
Saque imediato | R$ 700 | Pode retirar todo mês durante a graduação |
Poupança especial | R$ 350 | Só depois de começar a dar aula na rede pública |
Total do benefício | R$ 1.050 | R$ 700 livres e R$ 350 guardados |
O saldo guardado só é liberado quando o recém-formado começa a atuar como professor em escola pública. Há um limite de tempo para isso: até cinco anos depois da conclusão do curso.
O corte de entrada é de 650 pontos ou mais no Enem, e o candidato precisa querer lecionar em instituições públicas. A entrada no curso se dá por três vias: Sisu, Prouni ou Fies Social.
Por trás das siglas estão o Sistema de Seleção Unificada, o Programa Universidade para Todos e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior. As inscrições para o programa são feitas pelo Sisu, dentro de uma janela que começa na sexta-feira e termina na terça-feira seguinte.
As vagas que ficarem vazias são oferecidas depois pelos sistemas do Prouni e do Fies.
Quem perde o benefício no meio do caminho?
Para seguir recebendo os R$ 700, o aluno precisa cumprir o mínimo de créditos obrigatórios de cada período letivo. Em cada semestre, ele precisa mostrar resultado suficiente em 75% ou mais dos créditos matriculados.
A condição decisiva para acessar a poupança é outra: dar aula na rede pública dentro dos cinco anos que seguem a colação de grau. Fora dessa janela, o saldo não é liberado.
A regra serve para que o investimento se converta, de fato, em fortalecimento da educação pública.
O recado para quem está decidindo o curso
No fim, o que se espera é menos abandono e mais professores qualificados no sistema público, tanto em quantidade quanto em qualidade. A ideia é atrair para a docência o estudante de alto desempenho.
Para o candidato, o roteiro começa no Enem: 650 pontos ou mais, uma licenciatura escolhida no Sisu e atenção ao calendário de inscrição. Formar-se, porém, não põe a poupança no bolso: o valor acumulado só é liberado quando o recém-formado começa a lecionar em escola pública, e isso tem de ocorrer em até cinco anos depois da colação de grau.