Aposentadoria em 2026: 92% veem o INSS insuficiente e só 27% têm previdência
Para 92% dos brasileiros, a aposentadoria do INSS não vai sustentar o padrão de vida. A pesquisa da Icatu com a Conversion mostra o outro lado. São 62% sem previdência privada, e só 27% de quem poupa escolheu o produto.

O diagnóstico já está feito
Chamada “Conversão em Renda”, a pesquisa ouviu 500 pessoas no país, 60% de mulheres e 40% de homens.
O problema é que a percepção não virou planejamento. Entre os entrevistados, 95% dizem não ter recursos suficientes para se aposentar.
Desse grupo, 49% afirmam que ainda não começaram ou estão no começo. Entre os que já têm alguma reserva, 46% reconhecem que o valor está longe do necessário.
Falta clareza sobre o alvo: 58% têm apenas uma noção aproximada do valor mensal, e 14% não sabem estimar.
Indicador | Percentual |
Veem o INSS como insuficiente | 92% |
Não têm previdência privada | 62% |
Sem recursos para se aposentar | 95% |
Reserva longe do necessário | 46% |
Onde as pessoas põem o dinheiro
Entre quem já poupa, o favorito é o investimento de baixo risco. CDB e Tesouro Direto aparecem em 61% das respostas.
Poupança vem em seguida, com 40%. Imóveis aparecem em 34%.
No fim da lista, com 27%, está a previdência privada.
Há uma incoerência nessa ordem. O produto desenhado para a aposentadoria é justamente o menos escolhido por quem já reconhece o problema.
Estratégia | Percentual dos que poupam |
CDB e Tesouro Direto | 61% |
Poupança | 40% |
Imóveis | 34% |
Previdência privada | 27% |
Medo de faltar dinheiro
As preocupações giram todas em torno da mesma coisa. A reserva de emergência é a maior angústia, citada por 30%.
Depois vêm dois medos parecidos. O de o dinheiro acabar antes do fim da vida, com 24%. E o de a reserva não cobrir as despesas diárias, com 23%.
Nenhuma dessas duas é sobre viver mais. São sobre viver sem dinheiro no fim.
Quem está mais atrasado
A menos preparada é a Geração X, de 45 a 60 anos. São 70% que não se consideram prontos para se aposentar.
Segundo Diniz, parte dessa geração teve menos acesso à informação. O mercado de previdência complementar aberta tem cerca de 25 anos.
Entre homens e mulheres, a distância é ainda maior. Cerca de 29% delas não começaram a se preparar, contra 14% deles. É mais que o dobro.
Já a renda separa os grupos com força. Acima de R$ 28.000 de renda familiar, só 3,2% não se planejam. Entre as famílias de até R$ 1.000, o percentual é de 64,7%.
Grupo | Sem planejamento |
Renda familiar até mil reais | 64,7% |
Renda familiar acima de 28 mil | 3,2% |
Mulheres | 29% |
Homens | 14% |
Com quem as pessoas conversam
Família e amigos são a principal fonte para 66% dos entrevistados.
Especialistas financeiros, como gerentes de banco e assessores, aparecem em 18%.
Corretores de seguros ou de previdência são citados por 5%, e 12% não conversam com ninguém sobre o assunto.
Isso explica parte do descompasso. Conselho de parente raramente inclui aporte mensal e taxa de administração.
O que o executivo diz
Quem dirige Previdência na Icatu é Henrique Diniz. Para ele, as pessoas “já têm clareza” de que os instrumentos atuais podem não bastar.
Ele afirma que elas “precisam começar a se organizar e se planejar” para chegar a uma aposentadoria tranquila.
Educação financeira explica parte dessa mudança. “A difusão de informação” pela mídia e pelas redes sociais “ajuda e favorece o acesso a mais informações”, diz.
Diniz lembra também que “nunca é tarde para começar a acumular recursos”.
Previdência oferece flexibilidade para complementar a renda, segundo ele. O argumento vale pouco, porém, sem aporte regular.
Como usar isso na prática
O primeiro passo é estimar o gasto mensal que você quer manter, e não o valor do benefício. Some aluguel, saúde, alimentação e transporte, e o número que sair é a sua meta.
Depois, compare a meta com a renda que você já tem em perspectiva. A diferença é o que precisa ser acumulado.
A escolha do produto vem por último.
Tesouro Direto serve para objetivo com data marcada. Previdência faz sentido com horizonte longo e aporte mensal, pela disciplina que impõe.
E não espere o salário subir para começar. O atraso não é só de dinheiro, é de decisão.
Defina a renda mensal que você quer ter na aposentadoria, em valores de hoje.
Compare essa meta com o que você já acumula e com o teto do INSS.
Comece com um aporte pequeno, mas fixo, e ajuste uma vez por ano.
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