Velocidade econômica: onde o tanque rende mais na estrada

Existe uma velocidade que faz o litro render mais? Especialistas em direção econômica apontam que sim, e ela costuma ficar em torno de 90 km/h nas rodovias.

Velocidade econômica: onde o tanque rende mais na estrada

Em meio ao preço elevado dos combustíveis no Brasil, muitos motoristas se perguntam se vale mudar a forma de dirigir. A economia aparece no bolso no fim do mês.

Por que a faixa de 80 a 100 km/h rende mais?

A maioria dos carros a combustão vendidos por aqui foi pensada para render mais justamente na última marcha. Nessa condição, o motor costuma girar entre 2.000 e 2.500 rotações por minuto (RPM), faixa em que o carro mantém a velocidade com pouco esforço mecânico.

Passar dos 100 km/h muda o jogo. A resistência do ar cresce depressa conforme a velocidade aumenta, e o motor precisa de mais energia para abrir caminho. Dependendo do modelo e das condições da estrada, esse esforço extra pode elevar o gasto em até cerca de 30%.

O aumento do gasto não vem só do giro do motor: a aerodinâmica pesa, e o consumo pode aumentar de forma desproporcional ao ganho de velocidade.

Velocidade

O que acontece com o gasto

até 60 km/h, na cidade

vidros abertos custam menos que o ar-condicionado

80 a 100 km/h

faixa em que o motor rende melhor

acima de 100 km/h

resistência do ar sobe e o consumo pode subir até cerca de 30%

120 km/h ou mais

o gasto cresce fora de proporção com o tempo ganho

No balanço final, sobram poucos minutos no trajeto e falta dinheiro no bolso.

Janela aberta ou ar-condicionado

A resposta depende do ambiente e da velocidade. Na cidade, andando devagar, os vidros abertos saem na frente: o vento mal mexe com a carroceria e o motor sente pouco o arrasto.

Na estrada, acima dos 80 km/h, a história se inverte. Com os vidros abertos, o ar que entra na cabine vira turbulência e segura o carro; fechar tudo e ligar o ar pode custar menos do que brigar com o vento.

No anda e para, o vilão é outro

Em trecho urbano, a velocidade máxima importa menos do que o jeito de dirigir. O gasto grande mora nas arrancadas: sair da imobilidade repetidas vezes queima bem mais do que seguir em velocidade constante.

Algumas atitudes simples ajudam a reduzir o gasto no dia a dia. Acelerar aos poucos rende mais que pisar fundo no pedal.

O pé leve deixa o motor trabalhar na faixa boa, sem desperdício.

Antecipar as paradas também conta. Ao ver o sinal fechado ou a fila parada adiante, tire o pé do acelerador e deixe o carro perder velocidade com a marcha engatada. Em carros com injeção eletrônica, o fornecimento de combustível cai ou é cortado por um instante nessa desaceleração.

Descer em ponto morto é outra armadilha. Tira o controle do veículo e, de quebra, pode gastar mais do que a descida com a marcha engatada.

O conta-giros ajuda mais que o velocímetro

Para quem quer dirigir de forma mais técnica, o ponteiro do giro ensina mais que o velocímetro.

Segurar o giro firme e passar a marcha na hora certa rende mais. Em motor a gasolina, a troca em geral acontece antes dos 3.000 RPM; esticar demais deixa o motor girando alto sem motivo e cobra em consumo e desgaste.

Um motor que trabalha macio e constante aproveita melhor cada litro que entra no tanque.

Com o combustível caro, mexer no jeito de dirigir pesa no orçamento do mês. Velocidade na estrada perto dos 90 km/h, giro controlado e condução previsível resolvem sem gastar um centavo.

Nada disso custa dinheiro e nada disso compromete a segurança nem o tempo de viagem de forma relevante.

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